A Educação é o único caminho

Natureza em ação

“Encravados” no fundo da Europa, os motociclistas portugueses, são sempre obrigados a percorrer grandes distâncias em direcção a qualquer país europeu, e após 3000 km e três dias e respectivas noites mal dormidas, chegámos ao porto de embarque da pequena vila dinamarquesa de Hanstholm, onde nos esperava o ferry Norrona, que nos levaria ao nosso destino. Mais sete dias de viagem – com paragem obrigatória nas paradisíacas ilhas Faroe, onde pernoitámos duas noites – foram necessários até pisarmos solo islandês.

República da Islândia

Capital: Reiquiavique
Moeda: Króna
Língua Oficial: Islandês

Mal atracámos na minúscula vila portuária que nos esperava e após as rápidas formalidades aduaneiras, a nossa ansiedade levou-nos logo a rumar para Snafell, no interior, um ponto no mapa onde repousa um glaciar de gelo.

Com dia solarengo mas frio, prosseguimos em direcção a Askia, sempre com pistas de terra batida, variando com pisos mais duros de rocha vulcânica pontiaguda e areia preta. Enfim, um verdadeiro paraíso para os amantes de todo-o-terreno que podem ainda contar com as passagens de rios a vau. Ali os rios são muitos, e durante o dia podem variar o seu caudal, sendo a manhã a melhor altura para os atravessar, dado o gelo ainda só estar a começar a fundir. Com as nossas galochas, compradas nas ilhas Faroe propositadamente para este efeito, havia que fazer o reconhecimento a pé dos rios que apresentavam maior corrente ou profundidade. Com a água acabadinha de derreter não nos interessava tomar um banho enregelado logo pela manhã, de modo que em algumas situações toda a bagagem foi retirada e levada à mão para a outra margem. Um processo que se repetiu inúmeras vezes chegando no pior dos casos a levar duas horas, apesar da entreajuda de outros mototuristas.

Não existem muitos motociclistas na Islândia, mas no curto Verão a ilha é “invadida” por dezenas deles, na maioria alemães e italianos. É uma boa oportunidade para se estabelecer novas amizades e trocar experiências, dado que apesar da grandeza da ilha, em duas semanas praticamente toda a gente conhece toda a gente, o que faz com que as aventuras de cada um circulem mais rápido do que num jornal!

Depois de Askia, seus vulcões adormecidos e lagos de água quente, em ambiente digno de algum filme de ficção científica, rumámos a Norte, explorando ao longo de um imenso canyon, as maiores quedas de água da Europa: as imponentes Dettifoss. Dormimos tranquilamente em campismo e perto do lago Mývatn, um verdadeiro paraíso para observadores de aves. A actividade vulcânica esculpiu estranhas formas de lava à volta do lago (a última erupção deu-se em 1984) transformando este local numa maravilha da natureza.

O interior do país é cortado por duas pistas, as quais se recomendam em absoluto, não só pela condução proporcionada, mas também pela fascinante paisagem que se encontra com a proximidade dos glaciares. A mais difícil (a Este) é também a mais bela, com vários tipos de piso demolidor, aconselhada apenas para motos trail preparadas para o efeito e com pneus apropriados. A pista a Oeste, por ter mais manutenção, apresenta-se acessível a qualquer tipo de veículo, podendo-se prever que num curto espaço de tempo grande parte do país seja dotado de uma maior rede viária asfaltada, notando-se já um grande investimento nesse sentido («lá se vai o off-road»).

Para já a Natureza reina, e para qualquer viajante, aqui planeia-se o dia após dia, tal a imprevisibilidade do clima. Variando do bom (temp. dos 5º C aos 12º C) ao péssimo, com chuva e ventos tão fortes que são capazes de nos por fora de estrada ou fazer cair e cancelar a visita à parte Noroeste da ilha.

Reykjavík – capital europeia da cultura do ano 2000

Reykjavík é o coração económico e social da Islândia. Com os seus 170.000 habitantes, a capital contém tudo o que se espera de uma grande cidade embora com um ritmo muito mais tranquilo ao que estamos habituados. Este local foi, em 874, o lar escolhido para o primeiro colono, o viking Ingólfur Arnarson, que o baptizou de Reykjavík – baía fumarenta – devido ao vapor geotérmico que ainda hoje aquece todas as suas casas e piscinas. Esta energia – não poluente – contribui para o ar fresco e limpo que se respira. A parte velha da cidade convida a um agradável passeio matinal, sem esquecer o ambiente nocturno de que os islandeses são incondicionais adeptos.

A pouco mais de 30 km a sul da metrópole, encontramos um dos sítios favoritos dos autóctones para ocuparem o seu tempo de lazer, a lagoa Azul, pequeno oásis de água quente, no meio de cenário lunar. Banhos, relax, revitalização da pele e muito mais, faz da “Blue Lagoon” a maravilha geotérmica mais apetecida na Islândia.

Rumo a Este, entrámos novamente no principal eixo do país, a estrada nacional 1, o famoso Ring (anel) por ser a única que durante todo o ano – e especialmente durante os rigorosos Invernos – está sempre aberta, num esforço constante de manutenção e desimpedimento da neve em tempestades maiores. No Verão é a estrada mais usada pelos forasteiros para conhecerem grande parte do país sem maiores dificuldades (apenas 250 km se encontram ainda em terra batida). A sul podemos deambular pelas pequenas vilas piscatórias com destaque para Vic e Hofn, com paragem obrigatória em Jokulsarien. Aqui podemos observar de perto o encontro de um glaciar com o mar. O espectáculo da beleza natural é garantido, com enormes fragmentos de icebergs, flutuando rio abaixo para serem “libertados” no Atlântico (previnam-se “Titanics”).

A tranquilidade e beleza da Islândia absorve-nos completamente. Duas semanas desligadas do mundo exterior são passadas rapidamente, para no seu final percebermos finalmente o porquê de alguns motociclistas regressarem mais tarde a este exótico destino. Por isso até à próxima.

 

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