A Educação é o único caminho

Islândia - Terra de Gelo de Fogo

 

Ano: 2000

Período: 15 de Agosto a 15 de Setembro

Distância: 15.000 Km

Territórios: Portugal, Espanha, França, Alemanha, Dinamarca, Ilhas Faroe e Islândia

Participantes: João Pedro Pereira, Vitor Manuel Lima

A Viagem          Fotos          Patrocinios

Porto – ponto de encontro do Douro com o Atlântico

David Melgueiro navegador português do século XVII, capitaneou um barco holandês, que saiu do Japão em 1660, forçando a passagem do NE e transpondo o estreito actualmente denominado de Bering. Entrou assim no Árctico, após, contornar o arquipélago de Spitzberg e passar pela Islândia, dirigiu-se para sul, acabando por chegar à foz do rio Douro.

“Em todas as organizações regional-administrativas sempre o rio Douro constituiu uma linha divisória, de valor antigo e tradicional porquanto nele findava o condado ou terra portucalense e se encontravam os limites da Galiza e da Lusitânia. Estreita e difícil é a sua foz (no curso médio já o rio vai na fase da maturidade), a qual obstruí um vasto cabedelo ou pontal de areia. Para este mal concorreram dois factores importantes: o da grande impetuosidade das correntes atlânticas e o levantamento da costa (contrário ao fenómeno de subversão do litoral galego, originário das suas rias); mercê dos mesmos, o Douro, ao cabo de 640 km de curso, não pode no Atlântico depositar os materiais da sua área erosiva e continuamente se obriga a escavar e alargar o seu canal de saída. Todavia, é de lastimar, sobretudo pelos interesses do comércio local, a velha, sistemática e bruta recusa da regularização da barra, cuja melhorança poderia facilmente executar-se com vantagens para a navegação se à mesma várias causas antigas, injustas e pouco patrióticas se não opusessem.

Capital foi outrora o valor do rio no desenvolvimento citadino. Já nos séculos XIII e XIV muito activo era o tráfego da sua navegação comercial e tanto que rudes conflitos suscitou entre a Coroa e a Mitra por causa dos respectivos impostos. Um documento de 1324 comprova-nos a existência de uma esquadrilha de naus e outros navios em constante navegação comercial com o Norte da Europa e o Sul do Reino. Também já no tempo de D. Sancho I era importantíssimo o negócio da pesca. Outras e abundosas provas sobejam da pujança da labuta fluvial, como a da construção nos estaleiros de Miragaia e Maçarelos da frota destinada à conquista de Ceuta. No século XVII naus da carreira da Índia e alterosos galeões sulcavam as águas do rio; à carga e descarga cobriam-no embarcações de todos os tipos: brigues ligeiros da pesca do bacalhau na Terra Nova, pinaças de sardinha de Aveiro, da Figueira e Galiza, barlandas, tartanas, charruas, as quase redondas sumacas holandesas, etc.”

Carlos de Passos (in Enciclopédia pela Imagem – edição Lello & Irmão)

Reiquejavique – Capital das terras a que chamaram “a última”

“(…) subi a uma alta montanha para além da qual, para norte, se via um fiorde cheio de gelo à deriva. Por isso lhe chamei a essa terra Island, Terra dos Gelos”

Floki Vilgerdarson – comandante viking (século IX)

A dada altura, porém, um marinheiro grego de nome Píteas conseguiu passar o estreito de Gibraltar despercebidamente e explorar o Atlântico Norte.

Píteas era oriundo da poderosa colónia grega de Massília (a actual Marselha, França), fiel aliada de Roma.

Por volta de 240 a.C., no fim da Primavera, Píteas deixou Massília e fez-se ao mar num navio mercante de 75 a 100 t.

Píteas era mais do que um experimentado marinheiro e comerciante: era também um astrónomo e geógrafo capaz de proceder a observações e cálculos rigorosos e extrair as devidas conclusões.

Ultrapassadas as colunas de Hércules, Píteas rumou a noroeste.

Para os antigos povos do Mediterrâneo, o limite ocidental do mundo conhecido era assinalado pelas Colunas de Hércules, no estreito de Gibraltar, porta de acesso ao Atlântico. Dizia-se que Hércules erguera as duas colunas, Gibraltar (em cima) e o vizinho promontório de Marrocos, quando, navegando numa missão perigosa, deixara para trás o Mediterrâneo, rumo ao mar que se estendia para além deste.

Píteas, corajosamente, avançava sempre para norte por águas cada vez mais cinzentas e frias. Vezes houve em que o lento barco grego arrostou com ondas de 20 m; e, mesmo assim, Píteas não se deteve. As ilhas Órcades surgiram a estibordo e, bastante tempo depois, as Shetland. Após haver ancorado na ilha de Unst, a mais setentrional das Shetland, Píteas verificou que a luz do dia se prolongava agora por dezanove horas. Passara além da então inacreditável latitude de 60º N.

Os pastores de Unst, que acolheram estes visitantes informaram-nos da existência de uma outra ilha, muito grande, a seis dias de navegação para norte, precisamente nos limites do mar gelado que assinalava o fim do Mundo. O seu nome, disseram, era Thule e «apontaram para o local onde à noite o Sol repousa».

Píteas prosseguiu então para a maior – e a mais misteriosa – das suas descobertas. Até hoje mantém-se a polémica: seria Thule a Islândia, uma das ilhas Féroe ou mesmo uma região da Noruega? A única certeza é a de que o explorador grego a alcançou depois de navegar para norte durante seis dias e que aí permaneceu por tempo considerável. E foi ao explorar esta terra, a «última», como a designou, que o homem do Mediterrâneo observou um fenómeno que deve tê-lo atemorizado – o Sol da meia-noite.

As citações feitas por outros autores a este «fogo que brilha sempre» e ao «imenso cume» da ilha parecem indicar que se tratava de facto do afloramento vulcânico da Islândia.

In Os grandes exploradores de todos os tempos – edição Seleções do Readers Digest

O Projeto

A meio caminho entre a Europa e o continente Norte-americano, escondido no Círculo Polar, encontra-se um dos últimos santuários naturais do planeta, protegido pelo frio e pelo Oceano Atlântico.

Um Mundo à parte

Inspirados por um artigo mototurístico, publicado anos atrás numa revista alemã, a Islândia, desde então não mais saiu da imaginação de cada um de nós, nestes últimos anos. Pouco ou nada se sabia desta ilha de origem vulcânica, excepto ter na cantora pop Björk uma das melhores embaixatrizes.

Entre outros dados curiosos, realce-se o facto de três em cada cinco islandeses se concentrar na capital Reykjavík e seus arredores. Com uma economia assente na actividade piscatória, este país tem um nível e custo de vida só ultrapassado pelo Japão, não impedindo no entanto, de registar uma afluência cada vez maior de turistas e motociclistas, ávidos do contacto directo com um tipo de Natureza desaparecida há muito na maior parte dos outros países, fugindo das multidões e perdendo-se no interior frio e desabitado. As temperaturas médias não ultrapassam os 10º C no pico do Verão e descem aos 0º C no Inverno. Claro que no interior estas podem chegar aos 20º C negativos, mas por isso é que praticamente só é possível explorar o território de Junho a Agosto.

 
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