A Educação é o único caminho

A Pista do Atlântico


Ano:
 2001

Período: 12 de Agosto a 31 de Agosto

Distância: 6.500 Km

Territórios: Portugal, Espanha, Marrocos, Saara Ocidental, Mauritânia, Senegal, Gambia, Guiné-Bissau

Participantes: João Pedro Pereira, Tito Baião, Vitor Manuel Lima

A Viagem          Fotos          Patrocinios

Bissau – O regresso doloroso do passado

“(…) meu grito de revolta ecoou pelos vales mais longínquos da Terra, atravessou os mares e os oceanos e fez vibrar meu peito (…)”

Amílcar Cabral

Foram descobertos precisamente há 450 anos os “Rios da Guiné” pelo navegador Nuno Tristão – morto pelos nativos na sua chegada a terra, juntamente com outros companheiros.

Bissau, cuja capitania-mor fora fundada em 1687, era nos finais do século passado uma pequena cidadela, de limitada população, cercada por uma muralha com fosso que a protegia do gentio aguerrido e pouco pacífico. Na fortaleza setecentista de São José a imponência dos poilões gigantes contrastava com a ineficácia das velhas peças de artilharia que a guarneciam.

“A vila pequena, acanhada, de construções raquíticas e vulgares”, permanentemente “adubada pelo impaludismo” e “dizimada pelas febres”, não deixava de ser já “o centro mais importante do comércio da Senegâmbia Portuguesa”.

“Existem ali casas francesas, alemãs, americanas e inglesas, além de muitos pequenos negociantes, na maior parte de Cabo Verde, e concorrem à praça todos os dias não só os povos que a avizinham, mas muitas das tribos afastadas que a abordam em grandes canoas”, proporcionando aos olhos dos viajantes europeus um autêntico “quadro da vida africana curiosíssimo pela variedade de penteados e costumes dos seus personagens, interessante pela tatuagem com que se enfeita o preto, pitoresco pela diversidade dos tipos, dos penachos, das gesticulações e das vestimentas…”

A insalubridade de Bissau resultava assim de vários factores, que iam desde a clausura imposta pela muralha circundante às imundícies acumuladas no fosso, ou desde os pântanos vizinhos ao lodaçal das suas praias que serviam de lugar de despejos.

João Loureiro (in Grande Reportagem, Outubro 1996)

Porto – a beleza intemporal de uma paisagem centenária

“Tanto como Cidade como realização do homem, o Centro Histórico do Porto constitui uma obra-prima do génio criativo da Humanidade. Interesses comerciais, agrícolas e demográficos convergiram aqui para abrigar uma população capaz de construir a Cidade.
O resultado é uma obra de arte única, de elevado valor estético”.

Comité de Peritos para o Património Mundial da UNESCO (4 de Dezembro de 1996)

A cidade do Porto, vista de Gaia, oferece um espectáculo panorâmico de surpresa e de grandiosidade. Sente-se através dos efeitos da policromia e do relevo do casario apinhado, uma trepidação da vida intensa do burgo heróico e operoso. As torres da Sé, a agulha lavrada dos Clérigos, outros campanários, recortam-se sobre o perfil da cidade, e uma luz que cintila, banha-se de colorações quentes. As duas Pontes, sobre o rio, onde singram os «rabelos» com a sua airosa estrutura, tem beleza e graça. Entada a cidade, a revelação do seu tipismo faz-se rápida. O pitoresco da mescla da sua gente e dos seus veículos, a cor, o movimento, a ingresia popular, e que deu a «maquétte» para algumas cidades do Brasil, formam cromaticamente a sua fisionomia.

Matos Sequeira (in Álbum de Portugal edição Jornal O Século)

O Projeto

O Projecto “Na Rota dos Povos” com o objectivo de proceder ao desenvolvimento e ampliação da matriz do projecto “World Tour”, iria efectuar a ligação entre a cidade do Porto e a cidade de Bissau na Guiné.

Todo o raid se desenvolveria ao longo da “Pista do Atlântico”, único caminho de Norte para o Sul de África.

Era a oportunidade de dar a conhecer a pista que se transformou no Trans-Sahariano. No Sahara Ocidental comboios com centenas de veículos em escolta militar seguindo pistas ladeadas por minas. Na Mauritânia é uma longa pista sem balizamento, desde Nouadhibou passando pela mítica Atar e misteriosa Tidjikja em que é necessário a utilização de GPS durante cinco dias até chegar a Nouackchott.

O Rio Senegal é a porta da África Negra, a sul temos a Gambia, o que a separa da Guiné é o território de Casamança com a guerrilha activa.
Guiné-Bissau era o objectivo final desta aventura pelo conhecimento e pela tolerância entre os povos.

A oportunidade de ligar a cidade do Porto à cidade de Bissau, cidades geminadas, permitiria percorrer neste período, a única pista que serve de ligação entre o Norte e Sul de África, “A Pista do Atlântico”.

Depois de se tornar impossível de cruzar a África por Este, Egipto-Sudão-Somália, pelo centro, Argélia-Chade, países em guerra civil ou em guerra com vizinhos, “A Pista do Atlântico” é o cordão umbilical, que permite o vai e vem entre o Norte e o Sul.

Este prisma, desenvolveu ao longo da Pista, desde Dakhla até Dakar todos os tipos de negócios; os guias que nos levam pelo meio das minas, acampamentos improvisados, pequenas aldeias, a falta de combustível, os militares, os destroços abandonados dos veículos que saltaram sobre minas.
Esta situação permitiria dar a conhecer e fazer um documentário fotográfico e escrito deste modo de vida na “Pista do Atlântico”.

 
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