A Educação é o único caminho

Quatro Séculos de Convivência de Culturas

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Ano:
 1999

Período: 04 de Agosto a 17 de Outubro

Distância: 27.500 Km

Territórios: Macau, China, Tibete, Nepal, Índia, Paquistão, Irão, Iraque, Jordânia, Egipto, Líbia, Tunísia, França, Espanha e Portugal

Participantes: João Pedro Pereira, Tito Baião

A Viagem          Fotos          Observações          Patrocinios

Macau – A sedução da Diferença

“…tudo nesta terra é simultaneamente natural e mágico, concreto e abstracto, imóvel e fugidio. Miragem tangível, desafio à nossa razão, à nossa sensibilidade e ao nosso senso comum. Macau é como que um sonho confuso de Portugal…”

Miguel Torga

Em solo emprestado pela tolerância que soubemos criar, começou em tendas, depois palha e adobe, surgindo a cidade a partir de 1557.

Considerada uma verdadeira jóia da cultura europeia, cravada no imenso território da República Popular da China, acolhe no seu território autênticas marcas portuguesas, na arquitectura e no urbanismo.

Museu vivo das tradições milenares do Império do Meio, onde coexiste evolução com tradição, religião com superstição, o mundo Ocidental com o mundo Oriental. Aí está Macau como testemunho duma presença e de uma simbiose cultural únicas.

Cumprindo-se quatro séculos de Administração Lusitana, irá enfrentar um novo ciclo da sua vida que se caracterizará pelo culminar do ciclo imperial Asiático do Ocidente, iniciando-se então uma nova era entre Portugal e a China.

Mas, Macau continuará a ser uma janela da China para o Mundo e uma porta de entrada na China.

Porto – Património da Humanidade

“…essa terra que dera nome a este País e que estava predestinada para também lhe dar, na sucessão dos séculos, grandes exemplos da sua independência e de uma crença viva na dignidade moral do Homem…”

Alexandre Herculano

Nascido como burgo em 1120, é hoje nas palavras de Fernando Távora, “uma cidade em que as idades – da medieval à contemporânea – se confundem, se misturam, se interpenetram, num amalgamar do tempo em espaço comum.”

Há muito conotada como um baluarte da luta pela liberdade, a cidade, localizada nas margens alcantiladas do Douro, tem desde sempre revelado um pioneirismo no surgimento de novos e diferentes pensamentos e ideias.

Vocacionado para centro regional aberto ao mundo, o Porto tem vindo ao longo doa séculos a encetar uma teia de relações com outros povos o que hoje lhe permite levar-lhes o pulsar daquela que é futura Capital Europeia da Cultura.

O Projeto

Percorrer cerca de 28 mil quilómetros em 75 dias! Foi este o nosso projecto.

E ao concretizá-lo protagonizaríamos um acontecimento desportivo a nível Mundial, pois jamais algum motociclista efectuou o percurso que liga o Sudoeste Asiático à Europa Ocidental, acrescendo que era também a primeira vez que motociclistas portugueses cruzariam o Tibete, Nepal, Paquistão, Iraque, Egipto, Líbia.

Repetiríamos assim o pioneirismo que caracterizou já a nossa viagem ao Irão em Junho de 1998 pois, também aí, fomos os primeiros motociclistas portugueses a entrar em solo Iraniano após a Revolução Islâmica, o que, aliás ficou assinalado no livro de Honra da fronteira de Bazargan.

Porém, percorrer sucessivamente centenas de quilómetros não tinha por fim único nem primordial estabelecer recordes.

O nosso propósito era antes de mais promover o encontro de Povos e de Culturas, levar além fronteiras o sentir português e porque não Invicto. Dar a conhecer a nossa cidade e conhecer e descobrir os demais povos que pela distância que nos separa nos parecem tão diferentes mas a quem estivemos sempre tão unidos.

E deste modo, alargar o intercâmbio cultural, sedimentar laços de amizade e contribuir para a nossa ligação aos locais distantes, por onde, desde os tempos mais remotos, nos habituamos a andar.
Neste contexto, pensamos que o momento futuro da passagem da soberania Portuguesa do território de Macau para a República Popular da China devia ser acompanhado da ideia de que, o cessar do ciclo imperial Asiático do Ocidente, não significava o fechar de uma porta de intercâmbio cultural e económico, antes significava uma redefinição das relações que nos deverão continuar a unir e que, devíamos desde logo promover homenageando tal momento e celebrando-o, ainda que de forma simbólica.

Foi pois com este objectivo que nos propusemos chegar a Macau, onde ficaríamos 4 dias, período durante o qual iríamos encetar os mais diversos contactos com as entidades locais.

Levando da cidade Invicta uma missiva simbólica, pretendíamos manifestar, junto do Leal Senado, a vontade em manter as relações que nos unem e que hoje têm concretização na geminação das duas cidades.

Partiríamos rumo ao Porto onde chegaríamos, após termos atravessado a China, Nepal, Índia, Paquistão, Irão, Iraque, Jordânia, Egipto, Líbia, Tunísia, França e Espanha.

E desde o local da partida, e por todos os locais por onde passaríamos, iríamos dar a conhecer o Porto Património da Humanidade e futura Capital Europeia da Cultura.

Privilegiaríamos fundamentalmente o contacto com aqueles que maiores afinidades têm com a cidade do Porto e assim, Pequim e Xangai seriam locais onde também faríamos chegar às entidades competentes as intenções que daqui levávamos, relembrando expressamente a tão recente geminação com Xangai.

À nossa viagem, estava inerente um simbolismo único, que queríamos se tornasse num facto público e memorável de sedimentação dos laços Sino Portugueses.

Todas as memórias fotográficas da viagem, constituiriam o mote de uma exposição intitulada “Quatro Séculos de Convivência de Culturas” e a base de um livro a ser editado em 2000.

 
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